Os 10 piores conselhos de vida e o que realmente fazer

Se os conselhos fossem bons não se davam, vendiam-se. Ouvi esta frase pela primeira vez quando ainda era adolescente. Na altura, não percebi o quão verídica é. Existem conselhos de vida que se tornaram incrivelmente populares.

O mundo conectado de hoje contribuiu para tal. Ainda assim, muitos conselhos eram já bastante conhecidos antes da invenção da Internet. Mas popularidade e qualidade são coisas bem diferentes, como veremos mais adiante.

Dar conselhos transmite um ar de sabedoria. O carisma e a confiança com que algumas pessoas falam fazem-nos acreditar em tudo aquilo que dizem.

Todavia, o mundo está repleto de pessoas cheias de carisma e de confiança que tomam más decisões, umas atrás das outras. Não que haja algum problema em tomar más decisões. Desde que não tragam consequências graves, valem sempre a aprendizagem.

O problema é quando outras pessoas acham que as suas aprendizagens invalidam as opiniões dos outros. Temos experiências diferentes, e poucos, ou talvez nenhuns conselhos servem para todos.

A lista que se segue contém alguns dos piores que ouvimos com frequência:

1 – Seja você mesmo.

Coloquei este em primeiro lugar uma vez que foi aquele que mais ouvi na adolescência, naquela altura em que precisamos sobremodo de conselhos nas relações amorosas.

“Só tens de ser tu mesmo”, foi um dos piores conselhos que alguma vez me foram dados. Sermos nós próprios já é o que fazemos o tempo todo, o que significa que “sermos nós” não resulta naquele momento.

Este conselho faz parecer que somos perfeitos como somos. Que não precisamos de mudar nada em nós. Apenas mais uma das ideias românticas de quem vive num lugar moderno onde as necessidades básicas não são uma preocupação.

Em vez disso, seja melhor. Se você, tal como é, não obtém os resultados que pretende, precisa de novos conhecimentos. Somos todos seres imperfeitos, e continuaremos a ser não importa as habilidades que consigamos desenvolver.

No entanto, seres imperfeitos podem ser felizes e desenvolver-se sempre mais um pouco. Nos últimos anos surgiram os conceitos de inteligência emocional e inteligência social. Ambos podem ser trabalhados.

Quando ser você mesmo não resolve os seus problemas, experimente mudar, e torne-se alguém melhor.

2 – Um dia vai encontrar a sua alma gémea.

Este conselho contém duas convicções erradas e contraproducentes. A primeira, é a de que não precisa de buscar ativamente pelo aquilo que deseja. Um belo dia, vai cair no seu colo. A outra, é a de que existem almas gémeas.

A única situação na qual deve ter esperança de um dia alcançar alguma coisa, é quando se esforça, consistentemente, e numa perspetiva de longo prazo.

Sobre as almas gémeas, não existe qualquer fundamento em acreditar que há por aí uma pessoa que foi feita exclusivamente para si, e sinceramente é também um pouco perturbante.

Em vez disso, e partindo do pressuposto de que deseja um relacionamento, frequente mais eventos sociais e outros locais onde possa conversar com outras pessoas, e aprenda a ser comunicativo.

Durante o processo, tenha sempre a noção de que não existe uma pessoa perfeita para si, e de que terá sempre de fazer algumas cedências para estar com alguém, assim como a outra pessoa terá de fazer para estar consigo.

3 – Quanto mais cedo acordar, melhor.

Este conselho é muito ouvido nos meios onde o tópico é a produtividade. Por vezes gera-se até uma espécie de competição em que parece que quem acorda mais cedo é quem consegue fazer mais coisas durante o dia.

O pequeno pormenor que é deixado de lado, é que quanto mais cedo acorda, mais cedo tem de ir para a cama. Se dormir 8 horas por noite não interessa se se deita às 20h e acorda às 4h, ou à 00h e acorda às 8h. No fim, sobrarão sempre 16 horas!

Se acordar mais cedo e dormir menos horas vai de facto ter mais horas disponíveis, mas se dormir menos de que o seu corpo precisa, não espere ter o mesmo foco e a mesma energia.

Em vez disso, planeie as suas tarefas no dia anterior. Quando planeio o dia seguinte antes de dormir, deixando escrito a que horas vou realizar cada uma das minhas tarefas, não só este se torna mais produtivo e menos stressante, como até durmo mais tranquilamente.

4 – Acredite que tudo é possível.

Quem acreditar que tudo é possível está fadado a ficar desiludido. Vejo muitas vezes esta frase em vídeos e artigos motivacionais pela internet.

Se lhe disserem para acreditar em si mesmo, estou de acordo. Mas se tiver 40 anos e começar agora a jogar basquetebol, não espere entrar para a NBA.

Não lhe vou dizer para ser realista, dado que essa palavra é normalmente usada por pessoas tóxicas que querem desmotivar os outros. Nem tudo é possível, mas tal não é motivo para ser negativo.

Em vez disso, acredite que pode chegar muito longe se se empenhar nos empreendimentos certos para si, tendo em conta a sua personalidade e circunstâncias.

5 – Use roupa igual todos os dias.

Este conselho pressupõe que todos os dias de manhã, gastamos uma quantidade considerável de energia a pensar no que vestir. Ao usar roupa igual todos os dias, guardamos essa energia mental para gastar noutros afazeres ao longo do dia.

Este conselho ganhou muita popularidade devido a um dos grandes visionários do nosso tempo, Steve Jobs, que usava roupa igual em todas as circunstâncias, afirmando que deste modo reduzia o número de decisões a tomar, otimizando a sua energia.

Em vez disso, vista aquilo que quiser! Muitas pessoas obtêm uma boa dose de confiança por terem um guarda roupa de que gostam e se orgulham. Escolherem o que vestir deixa-os até mais motivados para enfrentar o dia em vez de o oposto.

6 – Deve fazer aquilo que gosta.

Este conselho é normalmente ouvido quando estamos a escolher uma área de estudo, ou quando queremos mudar de trabalho.

Dizem-nos que se descobrirmos a nossa paixão, o nosso propósito, nunca sentiremos que estamos a trabalhar. A nossa vida será um conto de fadas.

Transformar algo pelo qual somos apaixonados num trabalho a tempo inteiro é a melhor forma de matar uma paixão. Trabalhar no que gostamos não é uma solução para a falta de autodisciplina.

Em vez disso, separe o trabalho do prazer.

Não significa que se tiver um trabalho que odeie que não deva tentar mudar. Mas trabalho é trabalho. A convicção de que fazer o que gostamos durante 8 horas por dia vai nos motivar é falsa, e infantil.

Mesmo que conseguisse um trabalho a fazer só aquilo que gosta, rapidamente a sua paixão se tornaria num suplício.

Quando estiver a trabalhar, lembre-se de que a razão número um pela qual exerce as suas funções é ganhar dinheiro, e assegurar a sua sobrevivência.

Pode ter prazer com outras coisas, e se necessário tirar nem que seja apenas 30 minutos por dia para fazer o que gosta.

7- Não se deve importar com o que os outros pensam.

Nalgumas circunstâncias este comportamento até pode ser útil, mas não em todas! O mundo está cheio de pessoas tóxicas e necessitamos de ter bons escudos para não sermos contaminados com o seu pessimismo.

No entanto, “estar-se nas tintas” para o mundo em geral torna-o insensível, amargo e rude. Vivemos em sociedade e é importante termos outras pessoas por perto, e muitas delas até acrescentam qualidade às nossas vidas.

Em vez disso, identifique as pessoas que têm a vida que gostaria de ter, e tenha a opinião delas em consideração sobre os assuntos que elas comprovadamente dominam.

Em relação ao resto, seja muito seletivo, pois muitas pessoas gostam de fazer críticas disfarçadas de conselhos. Não se deve importar com o que a maioria das pessoas pensa, mas deve importar-se com aquilo que algumas pessoas pensam.

8 – Viva cada dia como se fosse o último.

Acho este conselho absolutamente hilariante! Sempre que o oiço a primeira coisa que imagino é alguém a experimentar drogas, gastar todas as suas poupanças, e não ter qualquer consideração pelas pessoas desconhecidas com quem se cruza na rua!

Viver cada dia como se fosse último arruinaria a sua vida rapidamente. As pessoas extremamente impulsivas já fazem isso sem se aperceber, e algumas delas desejam de facto que cada um dos seus dias seja o último.

Em vez disso, viva cada momento estando mentalmente presente, mas tenha planos para o futuro. Pode viver cada momento intensamente sem se comportar como se fosse o último.

Viva cada instante ao máximo, mas sem comprometer as suas economias, a sua saúde, e os seus objetivos de longo prazo.

9 – Você merece tudo de bom.

Você é lindo e maravilhoso. É um ser encantador e único no universo. Cheio de qualidades fantásticas. Como tal, merece tudo aquilo que deseja, certo? Não, errado. Ninguém merece o melhor da vida só por ter nascido.

Merecemos cuidados básicos, ser tratados com dignidade, assim como oportunidades para nos desenvolver e às nossas competências. Muitos nem têm essas oportunidades. Uns têm mais meritocracia que outros.

A natureza é mesmo assim. Caótica e aleatória. Apesar das nossas cidades desenvolvidas, das nossas casas modernas com aquecimento, e do acesso à internet em qualquer sítio, continuamos a fazer parte da natureza.

Em vez disso, conquiste as coisas através de trabalho árduo e sacrifício. Lamentar-se por outras pessoas terem circunstâncias melhores que as suas não o vai ajudar em nada.

Talvez tenha de se esforçar mais do que outros que têm melhores contactos, ou que nasceram em sítios com mais oportunidades. Isso não muda o facto de que tem de trabalhar arduamente se deseja chegar a algum lado.

10 – Siga o seu coração.

As nossas emoções podem ser as nossas maiores aliadas, ou o nosso pior inimigo. Quase todos nós crescemos a ver filmes da Disney, e o que é que estes nos ensinaram? Que devemos sempre ouvir o nosso coração!

O conceito de maturidade implica a capacidade de adiar a gratificação imediata. Um indivíduo não pode ser funcional e resolvido se fizer apenas o que o “coração” lhe diz.

Em vez disso, aprenda a usar a sua intuição, mas não de uma forma esotérica. Quando a intuição nos tenta guiar, antes de confiar nesta, devemos pensar se já tivemos experiências sobre esse assunto, ou sobre assuntos similares.

Podemos não nos lembrar detalhadamente daquilo que aprendemos com essas experiências, mas saber que já vivemos algo do género é um sinal de que a nossa intuição tem conhecimentos para nos ajudar a tomar boas decisões.

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